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A Luta Que Moldou a Trindade: A Resistência Caiçara Que Transformou a História de Paraty

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A resistência caiçara na Trindade é uma das passagens mais marcantes da história de Paraty. Uma luta profunda, movida por coragem, união e pertencimento, que ainda hoje ecoa nas praias, trilhas e memórias da comunidade. Aqui você encontra o relato completo, com todas as informações trazidas inspiradas no texto publicado por Myrian Burattini no Facebook. 

A Trindade antes da invasão:

Autonomia, cultura e modo de vida

Até o fim dos anos 60, Trindade vivia em isolamento natural, sustentada pela pesca artesanal, agricultura de subsistência e extrativismo. Era um modo de vida caiçara transmitido por gerações, estruturado na relação com a terra e com o mar. Esse vínculo marcava a identidade local — e também sua vulnerabilidade: como muitas comunidades tradicionais, os moradores não possuíam títulos formais de propriedade registrados em cartório.

O início da especulação imobiliária:

Quando a BR-101 mudou tudo
Com a chegada da Rodovia Rio–Santos (BR-101) no início dos anos 70, o isolamento da Costa Verde se quebrou, e Trindade se tornou alvo de grupos empresariais e multinacionais interessados em transformar suas praias e montanhas em megaempreendimentos turísticos. Entre eles, Brascan e Adela, associadas ao projeto do Condomínio Laranjeiras.

Esse avanço abriu espaço para atos de grilagem e pressão territorial. A população local chamava isso de “marronagem”: práticas de expulsão, violência, documentos duvidosos e negociações abusivas conduzidas por quem tinha poder econômico e político.

O período foi marcado por:
– Apropriação e expulsão: famílias eram forçadas a deixar suas casas de pau-a-pique, apesar do direito ancestral ao território.
– Violência e coação: jagunços e até policiais agiam em nome das companhias para intimidar moradores, oferecendo valores irrisórios por terras que valiam milhões.

A comunidade, no entanto, não se curvou.

A organização caiçara e o início da resistência

Diante da pressão ilegal e violenta, os moradores da Trindade se articularam. O sentimento de pertencimento — e a consciência de que aquele território era mais do que terra, era memória — fortaleceu a união entre as famílias.

A resistência se consolidou por três caminhos essenciais:
– Mobilização comunitária: organização local para defender o território de forma pacífica, firme e coletiva.
– Apoio externo: documentários e reportagens denunciaram a violência e deram visibilidade nacional à luta.
– Avanço jurídico: após anos de batalhas, em 1982, a multinacional Adela vendeu a área em litígio para o grupo Cobra C, que reconheceu o direito de permanência de parte das famílias caiçaras no local.

O impacto ambiental e legal: a criação da APA do Cairuçu
A pressão da comunidade, somada ao fortalecimento do movimento ambientalista no país, contribuiu para a criação da APA do Cairuçu. Embora a unidade de conservação traga desafios para o modo de vida tradicional — como restrições à pesca e agricultura —, ela também foi fundamental para frear a especulação e proteger o território de forma mais ampla.

O legado que permanece

A vitória da Trindade foi rara e significativa: a comunidade permaneceu em seu território, preservando sua cultura, sua paisagem e sua história. Mas o conflito não desapareceu. Novos processos, disputas e pressões continuam surgindo, mostrando que a resistência caiçara não é apenas passado: ela segue ativa.

Vento Contra: a memória viva dessa luta

O documentário “Vento Contra”, disponível ao final da matéria, é talvez o registro audiovisual mais tocante sobre essa batalha. Nele, moradores, ativistas e registros da época reconstrõem a dor, a coragem e a determinação que definiram a Trindade nos anos 70 e 80.

Assistir ao filme é entender a profundidade dessa história — e por que ela transformou para sempre a identidade de Paraty.

Um convite para vivenciar essa história em Paraty

Quem visita Trindade hoje encontra praias exuberantes, trilhas, natureza preservada e a alma de um povo que lutou para existir. E conhecer essa história é essencial para enxergar o lugar além do cartão-postal — é reconhecer o valor de uma comunidade que se ergueu contra a força do capital.

Se desejar registrar sua experiência na Trindade de forma especial, você pode fazer um ensaio fotográfico profissional com Guido Nietmann, referência em fotografia na região: Entre em contato pelo WhatsApp 24 992279-3464.

Crédito do texto-base histórico: Myrian Burattini
Imagens: autores desconhecidos (por favor informe se os conhecer, atualizaremos a matéria imediatamente)

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Guido Nietmann

Morando desde 2013 em Paraty, Guido Nietmann é fotógrafo, artista visual, curador, organizador de eventos e webmaster. Em parceria com a fotógrafa Roberta Pisco, criou a Fotos Incríveis, empresa especializada em fotografia comercial, o Fotoclube Paraty e também é o responsável pela criação do Eu Amo Paraty. Guido também é um dos criadores do Festival FocoOFF, que expôs o trabalho de mais de 150 artistas em sua última edição. Apaixonado por Paraty, ama retratar as pessoas e as belezas da cidade, e seu cantinho preferido é a praça da Igreja de Santa Rita! Seu trabalho pode ser encontrado no livro Paraty e Ilha Grande, no livro Paraty - Cidade da Gente e em muitas outras publicações, banners, posters e exposições. Guido também é autor do Livro Lotado!! - Os Segredos das Pousadas de Sucesso. Mais informações: www.nietmann.com.br