Conheça 6 portas que só são abertas uma vez por ano! Saiba o que está por trás!

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No coração do Centro Histórico de Paraty, escondidas nas paredes de casarões coloniais, existem seis portas misteriosas que permanecem fechadas 364 dias por ano. São os “Passos da Paixão” – oratórios centenários que guardam imagens sacras de valor incalculável, algumas com mais de 300 anos de história.

Apenas durante a Semana Santa, essas portas se abrem para revelar cenas da Paixão de Cristo, seguindo uma tradição religiosa que remonta ao Brasil Colônia. Cada porta representa um momento crucial do caminho de Jesus até a crucificação, e durante as procissões noturnas, os fiéis param em cada uma para orações.

Descubra os segredos por trás dessas portas únicas, sua localização exata no labirinto de ruas de pedra, e por que essa tradição é considerada um dos tesouros culturais mais bem preservados de Paraty.

O que são os Passos da Paixão?

Os Passos da Paixão são oratórios coloniais embutidos nas paredes de sobrados, casas e igrejas do centro histórico de Paraty. Cada um representa um momento crucial da Paixão de Cristo a caminho de sua crucificação. Originalmente, pertenciam à antiga Irmandade do Senhor dos Passos.

Dentro de cada nicho, há imagens ligadas à Paixão de Cristo, sendo algumas dessas peças sacras de valor incalculável, com mais de 300 anos de existência, protegidas pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Durante o restante do ano, essas imagens são guardadas no cofre do Museu de Arte Sacra de Paraty, localizado na Igreja de Santa Rita. Os quadros foram pintados pelo artista Walter Paiva, conhecido carinhosamente como Waltinho.

As 6 Portas Secretas: Localização e Significado

Passo do Horto das Oliveiras – Foto: @euamoparaty

1. Horto das Oliveiras

  • Localização: Rua do Comércio, próximo à Rua Marechal Deodoro (esquina com Rua da Cadeia)
  • Significado: Representa o momento em que Jesus ora no Jardim das Oliveiras antes de ser preso. É o primeiro passo da via sacra paratiense.
Passo da Prisão - Foto: @euamoparaty
Passo da Prisão – Foto: @euamoparaty

2. Prisão

  • Localização: Rua do Comércio, próximo à Rua Comendador José Luis (esquina com Rua da Ferraria)
  • Significado: Simboliza a prisão de Cristo após a traição de Judas. Este passo é especialmente relevante durante a Procissão do Fogaréu.
Passo da Flagelação - Foto: @euamoparaty
Passo da Flagelação – Foto: @euamoparaty

3. Flagelação

  • Localização: Rua do Comércio, próximo à Rua Santa Rita
  • Significado: Representa o momento em que Jesus é flagelado pelos soldados romanos antes da crucificação.
Passo da Cora de Espinhos - Foto: @euamoparaty
Passo da Cora de Espinhos – Foto: @euamoparaty

4. Coroação de Espinhos

  • Localização: Lateral da Igreja de Santa Rita (Rua Santa Rita)
  • Significado: Mostra a coroação de espinhos, quando os soldados zombam de Jesus colocando uma coroa de espinhos em sua cabeça.
  • Curiosidade: Este é um dos passos originais que sobreviveu desde o período colonial.
Passo do Pretório - Foto: @euamoparaty
Passo do Pretório – Foto: @euamoparaty

5. Pretório

  • Localização: Rua Dona Geralda, próximo à Rua Comendador José Luis (esquina com Rua da Lapa)
  • Significado: Também conhecido como “Enxuga Rosto (Verônica)”, representa o momento em que Verônica enxuga o rosto de Jesus durante o caminho ao Calvário.
  • Descoberta arqueológica: Durante trabalhos de conservação, foram reveladas pinturas do século XVIII nas faces internas das portas deste passo.
Passo da Cruz às Costas - Foto: @euamoparaty
Passo da Cruz às Costas – Foto: @euamoparaty

6. Cruz às Costas

  • Localização: Rua Dona Geralda, em frente à Praça da Matriz
  • Significado: Representa Jesus carregando a cruz até o local da crucificação.
Igreja da Matriz - Nossa Senhora dos Remédios - Paraty
Igreja de Nossa Senhora Dos Remédios – Matriz – Foto: @euamoparaty

O Sétimo Passo: Igreja Matriz

Embora não seja uma porta como as outras seis, a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios representa o sétimo e último passo – a Morte e Sepultamento de Cristo.

A Tradição da Semana Santa

As Procissões

Durante a Semana Santa, as procissões em Paraty percorrem o Centro Histórico, fazendo paradas em cada um dos Passos da Paixão para orações. As celebrações mais marcantes incluem:

Procissão do Fogaréu (ou da Prisão)

  • Quando: À meia-noite da Quinta-Feira Santa
  • Significado: Simboliza a prisão de Cristo
  • Atmosfera: Os fiéis caminham pelas ruas de pedra portando velas e tochas, com as luzes dos postes apagadas
  • Som característico: Matracas substituem os sinos (que se silenciam na Quinta-Feira Santa e só voltam a tocar no Domingo de Páscoa)
  • Experiência: Cria uma atmosfera que remete a outros tempos, com o som incessante das matracas ecoando pelas ruas escuras

Procissão do Senhor Morto

  • Quando: Sexta-Feira Santa, após a Cerimônia do Descendimento da Cruz na Igreja Matriz
  • Significado: Representa o cortejo fúnebre de Cristo

O Ritual de Abertura

A abertura das portas dos Passos da Paixão é um momento solene. Membros da paróquia, com chaves especiais, abrem cada nicho para revelar as imagens sacras. As portas permanecem abertas durante toda a Semana Santa, permitindo que fiéis e visitantes contemplem as cenas da Paixão.

História e Preservação

Origem Colonial

A tradição dos Passos da Paixão foi trazida de Portugal para o Brasil Colônia, seguindo práticas religiosas ibéricas. Em Paraty, essa devoção se estabeleceu profundamente, tornando-se parte integral da identidade cultural e religiosa da cidade.

Demolição e Reconstrução

Em 1929, alguns dos Passos originais foram demolidos. Posteriormente, foram reconstruídos pelo IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus) e IPHAN, mantendo as características originais. Os Passos localizados na Rua do Comércio e na Igreja de Santa Rita são considerados originais.

Proteção Patrimonial

As imagens dos Passos da Paixão são protegidas pelo IPHAN como patrimônio histórico e artístico nacional. Sua preservação é cuidadosamente monitorada, garantindo que essa tradição centenária continue para as futuras gerações.

Como Visitar os Passos da Paixão

Durante a Semana Santa

  • Período: Do Domingo de Ramos ao Domingo de Páscoa
  • Horários: As portas ficam abertas durante o dia, com maior movimento durante as procissões noturnas
  • Participação: Aberto ao público, respeitando o caráter religioso das celebrações

Fora da Semana Santa

  • Status: As portas permanecem fechadas
  • Localização: É possível identificar os nichos nas paredes dos edifícios históricos
  • Informação: Placas indicativas ajudam a localizar cada passo

Dicas para Visitantes

  1. Respeito: Lembre-se que se trata de uma tradição religiosa viva
  2. Fotografia: Permita, mas sem flash e mantendo distância respeitosa durante as orações
  3. Calçado adequado: As ruas de pedra podem ser escorregadias, especialmente à noite
  4. Silêncio: Durante as procissões, mantenha um comportamento silencioso
  5. Guia local: Considere contratar um guia para entender melhor o contexto histórico e religioso

Curiosidades e Fatos Interessantes

  1. Imagens Centenárias: Algumas das imagens guardadas nos Passos da Paixão têm mais de 300 anos e são consideradas verdadeiras obras de arte sacra colonial.
  2. Pinturas Descobertas: No Passo do Pretório, durante trabalhos de restauro, foram descobertas pinturas do século XVIII nas faces internas das portas, revelando detalhes artísticos até então desconhecidos.
  3. Matracas em vez de Sinos: A substituição dos sinos por matracas durante o Tríduo Pascal é uma tradição que remonta à Idade Média, mantida fielmente em Paraty.
  4. Iluminação Especial: Durante as procissões noturnas, a iluminação pública é apagada, criando uma atmosfera única com apenas a luz das velas e tochas.
  5. Turismo Religioso: A Semana Santa em Paraty atrai visitantes de todo o Brasil e do exterior, interessados em vivenciar uma das tradições religiosas mais autênticas do país.

Por que os Passos da Paixão são Importantes?

Patrimônio Cultural Vivo

Os Passos da Paixão representam mais do que uma tradição religiosa – são um patrimônio cultural vivo que conecta Paraty com suas raízes coloniais e com práticas devocionais que sobreviveram ao tempo.

Identidade Paratiense

Essa tradição faz parte da identidade cultural de Paraty, demonstrando como práticas religiosas se entrelaçam com a história urbana e social da cidade.

Turismo Sustentável

A preservação dos Passos da Paixão contribui para o turismo cultural e religioso sustentável, atraindo visitantes interessados em experiências autênticas e significativas.

Educação Patrimonial

A existência e manutenção desses oratórios servem como ferramenta educativa sobre a história colonial, arte sacra e tradições religiosas brasileiras.

Conclusão: Portas que Contam Histórias

As seis portas dos Passos da Paixão em Paraty são mais do que simples aberturas em paredes coloniais. São janelas para o passado, testemunhas silenciosas de séculos de devoção, e guardiãs de uma tradição que resistiu ao tempo.

A cada ano, quando essas portas se abrem durante a Semana Santa, elas não apenas revelam imagens sacras, mas também reafirmam a continuidade de uma prática religiosa que define parte essencial da identidade paratiense. Para os visitantes, oferecem uma oportunidade única de conectar-se com a história viva de uma das cidades coloniais mais bem preservadas do Brasil.

Na próxima vez que caminhar pelas ruas de pedra do Centro Histórico de Paraty, olhe atentamente para as paredes dos casarões. Você poderá identificar os nichos fechados dos Passos da Paixão – portas que guardam segredos, histórias e uma fé que atravessa gerações, esperando pacientemente pelo momento anual em que poderão revelar seus tesouros ao mundo.


Fontes consultadas:
IPHAN
Relatos históricos locais

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Guido Nietmann

Morando desde 2013 em Paraty, Guido Nietmann é fotógrafo, artista visual, curador, organizador de eventos e webmaster. Em parceria com a fotógrafa Roberta Pisco, criou a Fotos Incríveis, empresa especializada em fotografia comercial, o Fotoclube Paraty e também é o responsável pela criação do Eu Amo Paraty. Guido também é um dos criadores do Festival FocoOFF, que expôs o trabalho de mais de 150 artistas em sua última edição. Apaixonado por Paraty, ama retratar as pessoas e as belezas da cidade, e seu cantinho preferido é a praça da Igreja de Santa Rita! Seu trabalho pode ser encontrado no livro Paraty e Ilha Grande, no livro Paraty - Cidade da Gente e em muitas outras publicações, banners, posters e exposições. Guido também é autor do Livro Lotado!! - Os Segredos das Pousadas de Sucesso. Mais informações: www.nietmann.com.br