A reforma da Capelinha de Nossa Senhora das Dores nasceu de uma vontade muito simples: não deixar que um lugar tão querido por Paraty continuasse fechado, se deteriorando e desaparecendo pouco a pouco da vida da cidade.
Foram 47 famílias doadoras, todas contribuindo com recursos próprios, sem dinheiro público e sem recursos incentivados. Cada uma ajudou porque entendeu que recuperar a Capelinha era, de alguma forma, devolver a Paraty uma parte de sua própria história.
Mais do que restaurar paredes, telhado, madeira ou pintura, a ideia sempre foi trazer de volta um lugar que faz parte da memória afetiva dos paratienses.
Como acontece em quase toda obra antiga, ao longo do caminho fomos descobrindo que o desafio era maior do que imaginávamos. Depois de resolvermos um dos problemas mais importantes, o telhado, percebemos que a água também ameaçava a igreja por baixo. A drenagem do entorno não funcionava como deveria e a umidade continuava chegando à construção pelo solo.
Foi aí que surgiu um novo desafio.
Precisávamos ir além da reforma que já estava sendo feita e pensar também em como proteger a Capelinha para o futuro. Um novo projeto de drenagem foi preparado e, mais uma vez, recorremos às pessoas que já haviam acreditado nessa história.
E, mais uma vez, elas ajudaram.
Talvez essa seja uma das partes mais bonitas de todo esse processo: a Capelinha foi sendo recuperada não apenas por uma obra, mas por uma sucessão de gestos de generosidade, confiança e carinho por Paraty.
Hoje, olhar para ela aberta novamente traz uma alegria difícil de explicar. O Centro Histórico recuperou um espaço que sempre fez parte de sua paisagem, e os paratienses voltaram a ter a sua querida Capelinha viva.
Agora começa uma nova etapa.
O grande desafio daqui para frente é cuidar dela, manter tudo o que foi recuperado e garantir que esse esforço não se perca com o tempo.
Mas, neste momento, fica principalmente o sentimento de felicidade e de gratidão.
A Capelinha voltou.
E talvez o mais especial de tudo seja saber que ela voltou porque muitas pessoas simplesmente entenderam que Paraty merecia tê-la de volta.
Texto de Vinícius Balogh
Nesta matéria você confere um vídeo produzido em parceria por Roberta Pisco e Guido Nietmann, com edição de Guido Nietmann, além de fotos de Guido Nietmann para o @euamoparaty





