Uma nova casa abre as portas no Centro Histórico de Paraty durante a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) para apresentar a cidade a partir de suas próprias referências. A Casa Paraty, casa oficial da cultura caiçara, é um espaço dedicado à memória, literatura, música, oralidade, artes e aos modos de vida que construíram a identidade cultural do território caiçara.
Mais do que um espaço cultural, a iniciativa propõe um gesto simbólico: em um dos momentos de maior projeção nacional vividos pela cidade ao longo do ano — a FLIP —, a Casa cria um lugar para que as narrativas produzidas por artistas, mestres, escritores, comunidades e agentes culturais locais ocupem o centro da cena.
Uma iniciativa que nasce do reconhecimento da cultura local
A Casa Paraty nasce do reconhecimento de que a cidade que acolhe um dos mais importantes encontros literários do país também produz cultura continuamente. Antes da chegada dos visitantes e dos debates que marcam a festa, existe uma Paraty construída por saberes compartilhados, memórias coletivas, formas próprias de convivência e expressões artísticas que seguem produzindo cultura todos os dias.
Para Eric Porto, incentivador da iniciativa e caiçara nascido em Paraty, o momento é de transformação. “A principal transformação que esperamos é ampliar o olhar sobre Paraty. A cidade já é reconhecida mundialmente pela sua beleza, pelo patrimônio histórico e pela força da Flip. A Casa Paraty vem para acrescentar uma nova camada a essa experiência”, afirma.
Cultura caiçara como eixo central
A cultura caiçara ocupa o eixo central da experiência. Constituída históricamente na relação entre mar e serra, comunidade e território, ela reúne oralidade, música, trabalho coletivo, celebração e transmissão de saberes entre gerações. Presente na pesca artesanal, nas canoas, nas festas populares, na culinária, nos mutirões e na palavra cantada, a cultura caiçara é apresentada pela Casa como cultura viva, em permanente movimento.
Ao reunir manifestações tradicionais em diálogo com expressões contemporâneas — rap, slam, audiovisual, poesia falada e performance —, a Casa afirma que tradição não significa permanência no passado, mas sim continuidade no presente.
Conceito de Defeso Cultural
Um dos conceitos centrais da iniciativa é o Defeso Cultural, formulado pelo artista, compositor e pesquisador caiçara Luís Perequê. Inspirado no defeso ambiental ligado à pesca artesanal — período em que espécies são protegidas para garantir a continuidade da vida no mar —, o conceito propõe pensar a cultura a partir da lógica do cuidado com seus próprios ciclos de permanência.
“Nos últimos anos a cultura caiçara tem ocupado bastante o espaço, não só em Paraty, mas em toda a região, e satisfaz muito saber que cada vez mais a gente está ganhando espaço e afirmando a identidade da cultura caiçara”, celebra Luís Perequê.
Programação gratuita durante a FLIP
Concebida como casa-galeria, museu vivo da história local e espaço de convivência cultural, a Casa Paraty reúne literatura, música, artes visuais, patrimônio, formação, oralidade e memória em uma programação gratuita durante os cinco dias da FLIP. O público encontrará:
- Debates sobre cultura e território, memória caiçara e patrimônio cultural
- Literatura produzida na Costa Verde
- Lançamentos literários, oficinas e apresentações artísticas
- Saraus, rodas de conversa e atividades para crianças e escolas
- Concurso de Novos Versos de Ciranda Caiçara, por edital aberto a moradores
Homenagem e memória
O Palco Zé Kleber homenageia José Kleber Martins Cruz, poeta, músico e agitador cultural que marcou profundamente a vida artística da cidade e ajudou a construir pontes entre literatura, música e experimentação cultural.
Outro núcleo importante é a exposição fotográfica dedicada à luta da comunidade caiçara de Trindade contra a especulação imobiliária, com imagens e registros históricos que narram uma das mais importantes experiências de resistência territorial do litoral brasileiro.
Espaços da Casa Paraty
A experiência se completa em diferentes ambientes:
- Biblioteca — obras de autores caiçaras e publicações sobre o território
- Galeria de Arte Popular — trabalhos de artistas e artesãos locais
- Caiçaras e Caipiras — encontros culturais mediados pela cachaça e tradições populares
- Exposições, instalações, objetos do cotidiano caiçara, redes de pesca e fotografias
Para a curadora Vanda Mota, a presença da cultura local durante a FLIP é uma necessidade. “Sendo a Flip o maior dos eventos culturais de Paraty, é fundamental que a cultura local possa se apresentar com sua maturidade e seus processos para esse público”, destaca.
Serviço
A Casa Paraty funciona durante os dias da FLIP 2026 (22 a 26 de julho) em um casarão histórico no Centro Histórico de Paraty, com programação gratuita. Siga @casaparatynaflip nas redes sociais para mais informações.





