Parte 4
QUINTA-FEIRA SANTA
Este artigo é uma continuação das partes 1, 2 e 3 publicadas neste link
por Diuner Melo
Este dia é um dia muito especial e festivo para a igreja católica. Ela comemora a Última Ceia de Jesus, quando Ele institui a Eucaristia e criou a figura do sacerdote.
Os templos que tinham suas imagens cobertas de tecido roxo, cor também dos paramentos do celebrante desde a quarta-feira de cinzas, hoje o sacerdote é se veste com paramentos brancos, cor de alegria e festa.
A celebração iniciava à 17h., momento presumido em que teria acontecido a referida ceia. A missa era cantada pelo coro e ao Canto do “Gloria In Excelsis Deo” (Glória a Deus nas alturas) os sinos e a capainha repicavam alegremente, pois somente voltariam a ser tocados no Domingo da Ressurreição. Aliás, neste tempo a Missa da Ressurreição acontecia ao meio-dia do Sábado Santo. O Concílio Vaticano II a mudou para as 0:00h do domingo e hoje por várias razões acontece por volta das 21h.
A Capela interna do lado esquerdo, a do Coração de Jesus, estava enfeitada de flores e toalhas brancas, com candelabros de prata e muitas velas, porém encoberta por uma Cortina de seda branca.
Durante a celebração da Missa, rememorando um gesto de Cristo na ceia, depois da leitura do Evangelho de São João, o celebrante atava uma toalha branca em sua cintura e levando um jarro de prata, com seus acólitos levando uma bacia de prata, dirigia-se a um banco onde estavam sentados doze homens. Ali chegando lavava o pé direito, descalço, de cada um deles, enxugava e os beijava em sinal de humildade. Estas pessoas representavam os Apóstolos, que participaram da ceia original. Enquanto isso o coro entoava: Mandátum novum do vobis: ut diligátis ínvicem, sicut dilexi vos, dicit Dominus. Beáti immaculati in via: qui ambulant in lege Domino. (Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros com Eu vos amei, diz o Senhor. Bem – aventurados os que se mantêm sem mácula no caminho, os que andam na lei do Senhor) e outras antífonas.
Findo este ato a Santa missa prossegue na sua forma habitual. Quando encerrava-se formava-se, uma procissão na qual o celebrante, sob uma umbrela, conduz a âmbula com as hóstias consagradas, cobertas por um véu, até a Capela do Coração de Jesus, adrede preparada. Lá chegando, por uma escada lateral vai até o trono do altar e coloca a âmbula dentro de uma caixa de madeira e a fecha com chave. Desce e diante do altar, o incensa, enquanto o coro canta o “Pange Lingua” e seus versos: Pange língua gloriosi Corporis Mystérium, sanguinisque pretiosi Que in mundi prétium Fructus ventris generósi Rex effudit gentium. (Canta ó língua o mistério deste corpo glorioso Fruto do ventre sagrado e do sangue precioso que verteu o Rei das gentes Para a redenção do mundo) e finalizam com o canto do Tantum Ergo Sacramentum” (A tão grande Sacramento)
Prosseguindo o celebrante, junto com os acólitos dirigiam-se aos altares, retiravam suas toalhas e deitavam os tocheiros da bancadas. Era denudação dos altares.
À saída do sacerdote, dentro das grades desta capela, ajoelhados em dois genuflexórios ficam dois homens com tocheiros com vela acesas nas mãos, cantado e rezando por algum tempo. Chamava-e a isto a Guarda do Santíssimo, que se estendia até à 0:00h, quando a cortina era de novo cerrada e iniciava-se a Procissão do Fogaréu.
OBS.
• Todas estas cerimônias tinham grande e devota participação popular
• Atuavam ativamente dos rituais as irmandades de Nosso Senhor dos Passos e do Santíssimo Sacramento.
• A Umbrela é um guarda sol (ombrelone) em tecido adamascado, na cor branca ou vermelha.
• A Urna onde ficam guardada as Hóstias consagradas é uma bela peça em madeira trabalhada, pintada na cor branca e com listas de ouro. Tem um formato de uma ânfora fechada e sobre si a escultura de um cordeiro sobre um livro fechado, que representa o Cordeiro Pascal.
• As pessoas que faziam a Guarda do Santíssimo eram substituídas a cada meia hora por outros devotos.
Foto ilustrativa de uma Urna usada neste dia.

Parte 5
SEXTA-FEIRA SANTA
Este era um dia muito especial, pois rememorava a paixão e morte de Cristo. Nele não se celebrava missa e a Eucaristia era distribuída com as hóstias guardadas na Urna no dia anterior. Era um dia de silêncio, jejum, abstinência de carne e concentração. As rádios MEC e Nacional somente retransmitiam músicas sacras ou clássicas, intensificando o sentimento dos fiéis.
À 0h saía a Procissão do Fogaréu ou da Prisão. O Andor com a imagem de Nosso Senhor da Cana Verde partia da Sacristia da Igreja Matriz, acompanhado pelas irmandades e povo que portavam fifós acesos, com a cidade às escuras. Nós, os rapazes, sob a orientação do Waldemiro Brás da Conceição, já havíamos preparados os fifós com estopa e querosene. Esta procissão entrava pela porta lateral das igrejas e saía pela porta da frente e durante o seu percurso o coro entoava a Ladainha de todos os Santos. Meu pai contava que à frente do andor vinha um homem vestido de centurião romano com uma lança que apontava, de vez em quando, para a imagem, como se fosse feri-la. Dela somente participavam homens e as portas e janelas das casas por onde passava estavam fechadas. As mulheres e nós crianças a víamos passar através da fresta das janelas.
Pela manhã, nós crianças, acompanhados pelos mais velhos íamos ao Morro do Forte, Jabaquara e arredores recolher folhagens e arbustos para montar na Matriz a cena do Calvário. Lá era fincada uma grande cruz ao pé do altar e nela estava uma imagem do Cristo em agonia, de tamanho natural e de rara beleza. Estendia-se uma cortina preta de uma sacada a outra da capela mor, escondendo o cenário.
Às 15h, como narram os evangelhos acontecia a solenidade da paixão de Cristo, na Igreja Matriz. Esta cerimônia consistia na leitura de trechos da Bíblia, orações e a adoração da Cruz. Após as leituras e cânticos das antífonas o celebrante cantava: Flectamus Genua (dobremos os joelhos, ajoelhemo-nos) ao que o coro cantava: Levate (levantai-vos) Seguia-se com a leitura do Evangelho de São João, que narra a paixão de Cristo.
Continuavam a cantar as orações dos Pré Santificados, pela Igreja e seus membros, autoridades, povo cristão e não cristão. A cada oração repetia-se o Flectamus genua. Existia uma oração, que foi modificada pelo Vaticano II: Oremus pro perfidis judeos et schismaticis, (Oremos pelos pérfidos e sismáticos judeus), que passou a ser dito, Oremos pelos judeus.
Prosseguia-se com a Adoração da Cruz. Nela o celebrante, ladeado por dois acólitos com velas acesas, conduzia uma Cruz, coberta com um tecido roxo e cantava: Ecce lignum Crucis, in quo salus mundi pependi (Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo) ao que o coro cantava: Venite adoremus (vinde, adoremos) A estes cantos o sacerdote, aos poucos, ia retirando o pano roxo, a começar pela cabeça, até que a imagem ficasse inteiramente exposta. Findos estes cantos o celebrante trazia o crucifixo para que os fiéis o beijem. Enquanto os fiéis beijam, o coro canta uma série de impropérios: Popule meus, quid feci tibi? Aut in quo contristavi te? Responde mihi! Quia eduxi te de terra Aegypti: parasti crucem Salvatori tuo (Povo meu, que te fiz eu? Responde-me! Por ter vos tirado da terra do Egito, preparaste uma cruz para o teu Salvador) Ao que o coro canta: Hagios Theos. Sanctus Deus. Hagios Ischyros. Santus Fortis. Hagios Athanatos, eleison hymas. Sanctus imortalis, miserere nobis. (Ó Deus Santo. Deus Poderoso. Santo imortal, tende piedade de nós.) cantado em grego e latim.
Depois destes cantos, realiza-se a comunhão e findo este ato, a cortina que encobria o altar mor era aberta e exibia o Cristo Crucificado e as pessoas que representavam Maria (Nossa Senhora), Maria Madalena, João, Nicodemos, José de Arimateia e a Samaritana.
Encerrava-se assim esta cerimônia.
Por volta das 19h, na Igreja Matriz acontecia o descendimento (descida) do Cristo da cruz. Na cena aparecia Maria, abraçada com João olhando o crucificado, Maria Madalena, abraçada aos pés da cruz, chorava e os outros personagens assistiam a cena. Então, José de Arimateia e Nicodemos colocavam escadas atrás da cruz, subiam, atavam uma faixa de pano branco sob as axilas da imagem e, aos poucos, retiravam a tabuleta escrita INRI (Iesus Nazarenus Rex Iudeórum (Jesus Nazareno Rei dos Judeus), a coroa de espinho, os cravos e iam, com a ajuda do pano, a descer a imagem. Deixavam a faixa de tecido branco presa nos braços da cruz. Depois colocavam a imagem em um banco inclinado, onde Maria estava e ela abraçava a imagem, como se vê na imagem de Nossa Senhora da Piedade. Finda esta cena, cerrava-se a cortina.
Prosseguindo, era trazida uma imagem do Senhor Morto, em um belo esquife, coberto de cetim roxo e colocado em um sepulcro com uma tampa em formato de caixão, com quatro tocheiros com velas acesas em seus lados. Ali na Capela mor já estava a imagem de Nossa Senhora da Soledade, em tamanho natural, em seu andor. Então a irmandade armava o pálio Bordeaux, com oito varas de madeira, com ele encobriam o esquife e dava-se início à Procissão do Enterro. Abria esta procissão um grande estandarte, na forma de uma flâmula de duas pontas, na cor preta, presa a uma vara de madeira carregada ao nível do chão. Nela estava escrito em letras grandes: SPQR – Senatus Populusquae Romanum – (o símbolo de Roma – Senado e o Povo Romano). Era seguido por uma cruz de madeira, com um pano branco alçado em seus braços, ladeado tocheiros de madeira, bem como o pálio e o andor de N. S. da Soledade. No cortejo vários meninos levavam, em miniatura, os instrumento da paixão: a tabuleta, os cravos, a coroa de espinhos, uma escada, dois dados, uma torquês, e uma lança. A seguir vinham os personagens: Maria, abraçada a joão, José, Nicodemus em a samarita que trazia nos ombros um jarro, depois vinha o esquife, sob o palio, carregados pela Irmandade do Senhor dos Passos que trajavam balandraus com capuz à cabeça. Os balandraus, em seda, tinham também a cor Bordeaux., seguido do andor de Nossa Senhora.
À saída da igreja, na porta, sobre uma pequena escada estava o Anjo cantor, vestido de branco. Após o bater das matracas, enquanto descerrava um tecido estampado com a face de Cristo, na cor de sangue, ele cantava o moteto: Ó vos omnes qui transitis per viam, attendite et videtur si est dolor sicut dolor meus (Ó todos vocês que passais por este caminho, atendei e olhai se existe dor igual à minha dor). Findo o canto as Be Hu, tres mulheres vestidas de negro, com a cabeça coberta e uma tiara da metal , cantam este lamentos BEEEE…HUUUU. Representavam as tres mulheres que acompanhavam Maria na Morte do Cristo. Isto acontecia diante de todos os Passos da Paixão, seguidos de orações e cantos.
Ao retornar a procissão à Matriz, o esquife era colocado na capela mor e o celebrante subia ao púlpito, fazia uma homilia sobre aqueles acontecimentos e descerrava um pano longo onde estava estapado o corpo de Jesus morto, o Sudário. Neste momento descobria-se uma das mãos da imagem que era beijada pelo povo. Em dos inuflexórios dois homens ficavam ali a rezar em silêncio, fazendo a Guara do Santo Sepulcro, até o meio-dia de Sábado quando era celebrada a Missa da Ressurreição.
Assim se encerravam as cerimônias da Sexta-Feira Santa.
OBS.
• Desde o canto do Glória In Excelsis, na quinta-feira, os sinos e as capainhas emudeciam. Na Sexta-Feira Santa somente se ouviam as matracas a anunciar as cerimônias e na procissão, os cantos.
• Fifós eram tochas de banbu, a parte superior continha estopa embebida em querosene. Eles iluminavam o trajeto da procissão.
• Na procissão do Enterro, não se usavam peças de prata ou metal, a cruz, os tocheiros e as varas do pálio eram de madeira lavrada e pintada.
• Os balandraus eram veste largas, com capuz e sobrecapa, semelhante ás usados nas cerimônias maçônicas.
• As imagens de Nossa Senhora da Soledade e de Nosso Senhor dos Passos são de madeira, usam vestimentas em veludo e perucas naturais.
• Neste tempo o personagem chamado de Anjo Cantor era uma jovem, vestida de branco. Mas, passado um tempo e não mais encontrando uma jovem para fazer este papel, a Sra. Helena Vieira Duarte Coelho, casada, foi convidada a fazê-lo, porque tinha uma belíssima voz. Não achando adequado vestir-se de branco (traje das virgens) resolveu vestir-se de preto e cobrir a cabeça com um véu do mesmo tom.
Como as leituras e os cantos eram em latim e o povo não conhecia esta língua, notem que as procissões
Parte 6
SÁBADO SANTO
Neste dia, pela manhã a cenografia do Calvário já havia sido retirada e a Matriz estava com sua aparência original. Os tocheiros já estavam em pé, toalhas brancas e flores enfeitavam os altares. Porém, a igreja continuava na penumbra, sem iluminação.
Ao meio-dia, na porta da igreja iniciavam-se as cerimônias, próprias deste dia, com o acendimento de um pequeno fogo, o Fogo Novo e sua benção, e do Círio Pascal. Segue-se a benção da água. O celebrante, trajando paramentos brancos cravava no círio cravos de incenso, nos devidos lugares, no formato de cruz. Durante estes atos cantavam-se várias orações. Ao fixar os cravos no círio o sacerdote os abençoava e cantava: Per sua sancta vulnera, gloriosa, custódiat et conservet nos. Christus Dominus. Amém. (Por suas santas chagas, gloriosas, guarde-nos e nos conserve o Cristo Senhor. Amém). Com uma vela acesa no Fogo Novo, acendia o círio. Prosseguindo entrava na Igreja e no início da caminhada até o altar parava por três vezes, elevava o círio e cantava bem alto: Lumem Christi (A luz de Cristo), e povo ajoelhado, cantava: Deo gratias (Graças a Deus). A cada uma destas paradas os fiéis acendiam suas velas. Chegando ao altar o círio era colocado sobre um tocheiro e o sacerdote cantava o Exultet (Exulte), um longo canto e orações. A cada um destes cantos, uma parte de igreja era iluminada até ficar toda iluminada.
Seguiam-se as leituras de trechos do êxodo, Deuteronômio e do Profeta Isaías, que narram a criação do mundo e as profecias sobre a vinda do Messias.
Cantava-se então a Ladainha de todos os Santos e durante seu canto acontecia a benção da água batismal, nela colocando os Óleos sagrados pelo Bispo na Quinta-Feira Santa, soprando três vezes sobre ela, dividindo-a em quatro partes e aspergindo os quatro cantos do mundo. Encerrava esta benção colocando sobre a água o pé do Círio Pascal, também por três vezes. Esta cerimônia acontecia ao canto de orações. Continuava-se com a recitação do celebrante da renovação das promessas do batismo, repetida pelos fiéis.
Terminados estes atos, orações, cantos e ladainha iniciava-se a celebração da Santa Missa Solene da Vigília a Páscoa.
Nela após a leitura da Epístola o celebrante cantava Alleluia, por três vezes, cada vez em tom mais alto. Neste momento as campainhas e os sinos soavam alegremente por alguns minutos e eram retirados os tecidos que cobriam as imagens dos altares.
Terminada a celebração acontecia na Praça da Matriz a “Malhação do Judas”. Era um boneco, cheio de palha por dentro, vestido com um terno roto, enforcado em um poste ou árvore da Praça. A molecada e os rapazes, com vara, batiam neste boneco, até que ele se desmantelasse e caísse. No chão era arrastado e pisoteado e seus restos queimados. Acreditávamos, nós crianças, que estávamos castigando Judas Scariótes por haver traído Jesus.
OBS. Depois do Concílio Vaticano II esta cerimônias foram transferidas para as 23h deste mesmo sábado
Parte 7
DOMINGO DE PÁSCOA
Por volta de 6h acontecia a Procissão da Ressurreição. Nela o celebrante usava capa de asperges branca. A Irmandade do Santíssimo Sacramento, com suas opas rubras, carregavam as varas de pratas de um pálio branco sob o qual o celebrante se colocava. Ele portava um grande ostensório de Prata com a hóstia consagrada
Abria o cortejo acólitos levando turíbulo aceso e naveta com incenso, seguidos por uma belíssima cruz e tocheiros, também de prata. De tempos em tempos soava campainha, a banda de música tocava dobrados alegres, o povo e o coral cantavam: Regina Coelis laetare, Alleluia! Quia quem meruiste portare, Alleluia. Ressurexit sicut dicit, Alleluia! Ora pro nobis Deus, Alleluia. (Alegrai-vos, Rainha dos céus, Aleluia, Aquele a quem mereceste trazer, Aleluia. Ressuscitou, como disse. Aleluia. Rogai por nós a Deus, Aleluia). Era um canto festivo, vibrante e alegre.
As residências, no trajeto da procissão, exibiam suas janelas adornadas de tecidos adamascados, rendas, de castiçais com velas e arranjos florais.
Finda a procissão, na Igreja Matriz o sacerdote celebrava a segunda missa do Domingo de Páscoa.
Por volta das 17h o festeiro do Divino Espírito Santo, portando sua bandeira e seguido de muitos devotos, também levando suas bandeiras, acompanhados pela Folia e Banda de Música se dirigiam à Igreja do Rosário. Durante este trajeto orações, cantos da Folia e dobrados da Banda animavam os féis. À porta da Igreja, sobre cavaletes estava o grande mastro, pintado nas cores branca e vermelha. Iniciava-se, então a procissão do mastro para o seu lugar na Praça da Matriz. Abriam o cortejo, quatro crianças carregando a bandeira do mastro, seguido de outra que levava o suporte da bandeira e a última carregando a Pomba que encima o mastro, trançada com uma fita vermelha. Encerrando o cortejo vinha o mastro carregado por muitos homens, o Festeiro, as bandeiras, folia, banda de música e o povo. Levantado o mastro, do lado direito da Matriz, com a ajuda de muitos e com “tesouras” grandes de bambu para erguê-lo, espocavam muitos foguetes. Em seguida dirigiam-se à casa do Festeiro, onde eram servidos salgadinhos, vinho, cerveja e refrigerantes a todos.
Naquele tempo, citava-se sempre um ditado popular nativo: É pelo arriar do mastro que se conhece o festeiro. Isto queria dizer que se a comida e bebida eram fartos, o festeiro era “mão-aberta”, gostava de festa e ela seria ótima.. Caso contrário, se ele era “unha-de-fome”, avarento, a festa não seria boa, nem alegre.
Estes acontecimentos, com poucas variações, continuam até hoje.
OBS.
• Com o Vaticano II a Vigília da Páscoa passou a ser realizada no sábado à noite, seguida da Procissão da Ressurreição, com uma imagem do Cristo Ressuscitado.
• Quero informar que estas postagens têm a finalidade de preservar o que acontecia e de que forma. Não pretendiam exibir o conhecimentos eruditos de liturgia e do latim.
• Fi-lo tão somente para registrar os atos e fatos, que habitualmente não são objetos de crônicas
• Fico muito agradecido aos que tiveram a paciência e interesse em lê-los.
• Agora, saindo um pouco do sério. As cerimônias de Sexta-Feira e Sábado Santos eram verdadeiras aulas em uma academia de ginástica, tal era o número de vezes que os fiéis ajoelhavam, sentavam e ficavam em pé. Eram realmente muito cansativas.
• Escrevi Fi-lo, para lembrar a piada popular a respeito da renúncia de Jânio Quadros da presidência da República, quanto teria dito: Fi-lo porque qui-lo.




